Categorias
Data comemorativa Eventos Saúde, Ciência & Tecnologia Utilidade Pública

17 de Outubro: Um Marco Histórico para a Comunidade PEH e ELP

17 de Outubro: Um Marco Histórico para a Comunidade PEH e ELP

No dia 17 de outubro, celebramos o primeiro Dia Internacional da Paraparesia Espástica Hereditária (PEH) e da Esclerose Lateral Primária (ELP) — uma data que simboliza conscientização, união e representatividade mundial.

Esse marco histórico foi conquistado por um movimento internacional no qual 19 associações de 15 países se uniram e assinaram a petição para oficializar esse dia como a data global de conscientização da PEH e da ELP. Um verdadeiro triunfo coletivo que demonstra a força e a solidariedade da nossa comunidade rara.

A Spastic Paraplegia Foundation (SPF), organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos, tem como principal objetivo arrecadar fundos para pesquisas científicas sobre a Paraparesia Espástica Hereditária (HSP/PEH) e a Esclerose Lateral Primária (PLS/ELP). Desde 2002, a SPF também atua promovendo apoio às famílias, divulgação de informações e incentivo à colaboração internacional entre pesquisadores e associações de diversos países.

A videoconferência internacional organizada pela SPF reuniu participantes de diferentes partes do mundo ao longo do dia. O Brasil participou às 20h (horário de Brasília), reunindo membros da Aspec Brasil, famílias e pessoas com PEH e ELP, além de participantes de Portugal, Canadá e França, reforçando o espírito global do evento.

Destaques da participação brasileira
• Nayara Stivali, Diretora do Núcleo Financeiro, mãe do Arthur (SPG4), compartilhou os desafios e vitórias de sua família com emoção e esperança.
• Jailson Mousinho, pessoa com PEH e ex-presidente da Aspec Brasil, relatou sua trajetória de resiliência na vida.
• Eduardo, com SPG8, apresentou reflexões sobre sua experiência de vida com a condição.
• Liane, com ELP, emocionou todos ao dividir sua história de força e sensibilidade.
• Rejane, mãe de Camila e Filipe (SPG11), teve seu depoimento lido em inglês por Celyna Rackov, garantindo que sua mensagem fosse ouvida internacionalmente.

  • Celyna Rackov, Presidente da Aspec Brasil e também Embaixadora da Spastic Paraplegia Foundation no Texas e no Brasil, que tem PEF SPG4, realizou a tradução simultânea dos relatos brasileiros para o inglês.

Essa atitude da atual Presidente permitiu que as vozes do Brasil fossem compreendidas e valorizadas no cenário internacional, gerando uma maior proximidade em busca do bem comum.

Esse 17 de outubro foi um dia de visibilidade, acolhimento, informação e união global, que seja o primeiro de muitos anos marcantes na luta por mais pesquisa, diagnóstico, tratamento e qualidade de vida para todas as pessoas com PEH e ELP!

Aspec Brasil — Unidos pela informação, acolhimento e esperança.

#DiaInternacionalPEH #DiaInternacionalELP #HSP #PLS #AspecBrasil #SpasticParaplegiaFoundation #DoençasRaras #UnidosPelaInformação #RaroÉSerMuitos #RareDiseaseAwareness

Categorias
Saúde, Ciência & Tecnologia

Glossário RARO: Paraparesia Espástica Hereditária

Alguns termos que os profissionais da saúde (médicos, fisioterapeutas, geneticistas e outros) utilizam parecem confusos e indecifráveis. E o entendimento destes termos, e das indicações médicas, é muito importante e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida do paciente.

Para tentar ajudar nisso, a ASPEH Brasil irá publicar uma série de matérias que formarão o “Glossário RARO”. Assim, o primeiro termo a ser “traduzido” será Paraparesia Espástica Hereditária.

Paraparesia Espástica Hereditária (PEH) é o nome completo de uma doença. Dessa forma, esse norme e sobrenomes explicam os sintomas e as características dela.

▪ Paraparesia – é a diminuição da força muscular nas pernas.

▪ Espástica – é referente a espasticidade, ou seja, ao endurecimento das pernas que é uma característica dessa doença (aumento do tônus). Este sintoma pode ser acompanhado muitas vezes de clônus e de espasmos.

▪ Hereditária – porque é uma doença genética, e pode ser transferida para as próximas gerações.

Importante ressaltar que estes 3 termos não são inseparáveis, cada um tem seu significado próprio e para que isso fique bem claro, deixamos aqui alguns exemplos:

Alguem que sofreu uma Lesão Medular em um acidente pode ter Paraparesia, mas ela não será hereditária.

Uma pessoa com sequela de Paralisia Infantil apresenta Paraparesia (fraqueza nas pernas) mas não é Espástica, pelo contrário, ela apresenta Hipotonia, é “mole”.

Algumas pessoas com Paralisia Cerebral apresentam Paraparesia Espástica.

E existem milhares de doenças hereditárias, que não tem relação com paraparesia nem com espasticidade.

Há algum termo que você gostaria de entender melhor?? Mande-nos!

 

Priscila Molina, Celyna K. Rackov e Michelle L. Detoni

Categorias
Saúde, Ciência & Tecnologia

Atividades Aquáticas nas Doenças Neuromusculares

A Paraparesia Espástica Hereditária (PEH) abrange um grupo heterogêneo de distúrbios neurológicos que tem como principais sintomas a fraqueza e/ou espasticidade dos membros inferiores. A Fisioterapia representa a abordagem terapêutica mais importante para aliviar esses sintomas. A variedade do quadro clínico da PEH é grande, portanto a avaliação individual do fisioterapeuta é importante para a determinação dos objetivos, também individuais. (Para mais informaçoes sobre a variedade no quadro clínico da PEH acesse: https://www.aspehbrasil.org/causas-e-sintomas/).

Além da fisioterapia motora em solo, dentre as atividades físicas que indivíduos com PEH têm reportado maiores benefícios, destacam-se os exercícios aquáticos como, a fisioterapia aquática (hidroterapia), a hidroginástica e a natação.

As atividades aquáticas podem proporcionar uma variedade de benefícios à pessoas com dificuldades motoras. A água, muitas vezes, ajuda essas pessoas a se moverem de maneira que não são capazes no solo, uma vez que na água ficamos 90% mais leves facilitando assim a movimentação ativa. Além disso, dependendo da posição do corpo e da região a ser trabalhada, a água pode ser usada como resistência ao movimento, fortalecendo a musculatura ou como facilitadora de um movimento que por vezes é difícil ou mesmo impossível fora da piscina; a água funciona também como apoio e suporte, podendo facilitar o equilíbrio.

A temperatura da água pode ser uma aliada. A faixa de temperatura mais utilizada para hidroterapia varia de aproximadamente 30ºC a 35º C, apresentado excelentes resultados na grande circulação, mobilidade e tônus.

Hidroterapia

A hidroterapia é constantemente indicada para tratamento relacionado a PEH e está totalmente ligada à fisioterapia de solo e respiratória, auxiliando também as demais terapias dependendo da necessidade de cada paciente.

Dentre os principais objetivos da hidroterapia encontram-se: Manter e melhorar a movimentação ativa, a capacidade cardio-respiratória, a capacidade funcional, a qualidade de vida promovendo, inclusive, interação social.

Um estudo realizado na Nova Zelândia analisou a eficiência da hidroterapia na marcha de pessoas com PEH. Nesse estudo, nove pessoas com PEH foram solicitadas a participar de análises de marcha pré e pós-hidroterapia. De acordo com os resultados dessa pesquisa, a média da velocidade de caminhada aumentou significativamente (11%) após a sessão da hidroterapia, indicando efeitos benéficos da hidroterapia para esse grupo.

Hidroginástica

A hidroginástica é derivada da hidroterapia, porém na hidroginástica as atividades são realizadas em grupo sob orientação de um profissional de educação física. A hidroginástica consiste de exercícios elaborados para diversas partes do corpo para trabalhar diferentes capacidades físicas como a flexibilidade, força muscular, equilíbrio, capacidade respiratória e cardiovascular.

Natação

A natação é um dos esportes mais completos e proporciona uma variedade de benefícios tanto para indivíduos em geral como para pessoas com algum tipo de deficiência. A natação pode ajudar desde a melhora das capacidades físicas como também nas relações sociais entre as pessoas. Esta atividade aquática trabalha todos os grupos musculares, alivia tensões, ajuda a diminuir a gordura corporal e a recuperar lesões.

O ensino da natação para a pessoa com deficiência poderá sofrer adaptações em relação ao processo que habitualmente se desenvolve. Ao longo do processo, o professor pode utilizar recursos diversos como pranchas, espaguetes, flutuadores, e entre outros para auxiliar o aprendizado dos nados.

Além dos benefícios físicos da natação, destacam-se também os benefícios cognitivos por estimular o desenvolvimento da aprendizagem e o poder de concentração e benefícios psicossociais, uma vez que as atividades aquáticas podem propiciar ao indivíduo atividades em pequenos e grandes grupos, estimulando assim as experiências corporais, a integração e o convívio social.

ATENÇÃO:

*E as atividades na água são indicadas para todos os pacientes? Não! Existem contra-indicações, algumas absolutas como febre, infecções do trato urinário, infecções de pele, e outras como no ouvido, garganta, vias respiratórias e gastrintestinais, capacidade pulmonar muito comprometida, cardiopatias instáveis, doença vascular periférica e epilepsia de difícil controle. Outras são restrições, não cabem regras rígidas como as contra-indicações e sim uma avaliação apurada do fisioterapeuta e da equipe multidisciplinar quanto à relação custo-benefício, são elas: incontinência urinária e fecal, pacientes com histórico de cardiopatia, pressão arterial alta ou baixa controlada, alterações de sensibilidade ou déficit de regulação térmica, feridas ou úlceras abertas e epilepsia controlada.

Cada pessoa pode se beneficiar diferentemente para cada tipo exercício, portanto uma avaliação profissional deve ser realizada.

O vídeo “Atividades Aquáticas” mostra pessoas com PEH realizando atividades aquáticas como hidroterapia, natação e hidroginástica.

Por Celyna Rackov1, Tecia Donato1, Tabita Knaack1, Priscila Molina1,2

1Integrantes do Núcleo Médico e Científico da ASPEH Brasil, 2Fisioterapeuta

REFERÊNCIAS

Faria, E.V.F.(2015). Atividades Aquáticas para pessoas com deficiéncia. Disponível em: <https://professorricardopace.files.wordpress.com/2015/02/atividades-aquaticas.pdf>.

FONSECA, A.N.N.; LEÃO, M.C.; VIEIRA, L. C. R; SOUSA, D.S.; SANTANA, E.M.B. Hidroterapia: revisão histórica, métodos, indicações e contraindicações. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 147, 2010. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd147/hidroterapia-indicacoes-e-contraindicacoes.htm>.

Garcia, M.K.; Joares, E.C.; Silva, M.A.; Bissolotti, R.R.; Oliveira, S.; Battistella, L.R. Conceito Halliwick inclusão e participação através das atividades aquáticas funcionais. Acta Fisiatr. 2012;19(3):142-50.

Hydroterapy. Disponível em: http://www.spastn.org/index.php?option=com_content&view=article&id=92&Itemid=97.

MOURA, Elcinete Wentz de; LIMA, Eliene; SILVA, Priscila do Amaral Campos E. Fisioterapia: aspectos clínicos e práticos da reabilitação. São Paulo: ARTES MÉDICAS, 2005.

Pinheiro, P. S. Natação para Pessoas Portadores de Defíciencia Física, 2016. Disponível em: <https://eventos.set.edu.br/index.php/CIAFIS/article/view/2814>

Silveira, F.G. Benefícios da Hidroginástica para as capacidades funcionais e nível de atividade física em idosas de 60 a 75 anos. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas, 2013.

SKINNER, A. T.; THOMSON, A. M. Duffield: Exercícios na água. São Paulo: Editora Manole, 1985.

SOUZA, Valdênya E. de; MENEZES, Larianne & AMORIM, Marília A. J. de. Os Benefícios de Exercícios Aquáticos (Natação) para Deficientes Físicos, 2009. Disponível em https://www.artigos.etc.br/os-beneficios-de-exercicios-fisicos-aquaticos-natacao-para-deficientes-fisicos.html.

Zhang Y, Roxburgh R, Huang L, Parsons J, Davies TC. The effect of hydrotherapy treatment on gait characteristics of hereditary spastic paraparesis patients. Gait & Posture, 39(4), 2014.